"O livro de Valérie Trierweiler é importante e necessário"

O problema é que ele diz essa verdade ao público em geral ...

Philippe Brenot: Sim, mas François Hollande foi o primeiro a dar sua privacidade na via pública. Ela descobriu sua infidelidade não através de mensagens de texto como muitas, mas na imprensa. Todos tinham conhecido antes dela. Nesta crise do casal que é jogado na frente do palco público, ela só poderia responder nesta etapa. Para mim, a separação não ocorreu. Estamos, até hoje, em uma crise conjugal que não acabou. Havia, em nome de François Hollande, uma mensagem seca de repúdio enviada em janeiro. Valérie Trierweiler demorou muito tempo, porque havia esta fase de silêncio, mas ela responde hoje porque o conflito não acabou. Essa é a resposta para o que aconteceu em janeiro. Mas ao nível da experiência feminina, aconteceu ontem. Está tão presente.

O que essa vingança pode trazer?

Philippe Brenot: Pode levar a uma reparação do sofrimento, da sua identidade também. O sofrimento estava presente muito antes do engano: ele havia deixado ir, deixasse sua imagem suja.

Entendemos que tal atitude pode ser libertadora no momento, mesmo que seja agradável, mas pode ser a longo prazo?

Philippe Brenot: É possível. O problema é a incerteza sobre as consequências desta publicação. Muitos o culparão por danificar a imagem de François Hollande. Claro, haverá um impacto político, mesmo que os opositores do presidente digam que não entrarão nessa história. Mas isso não vai acontecer: está no nível da consciência das pessoas. É possível que sua imagem seja realmente restaurada, o que certamente irá reinfar narcisicamente. Tivemos a de uma mulher que deve ter sido má por ser demitida sem qualquer outra forma. Eu acho que muitos vão pensar que é normal que uma mulher se possa revoltar. Não se pode tratar uma mulher como um servo como este: também é uma mensagem enviada aos homens. Não acho que as reações sejam negativas. Isso afetará as pessoas, mesmo que digam pela maior parte que não querem entrar nesta intimidade. Este testemunho, sem dúvida, também será um exemplo para muitos casais, porque há muitos que vivem em tais situações.

Não existe o risco de ser considerada uma eterna vítima?

Philippe Brenot: Não tenho certeza. Ela não se ridiculariza. Sentimos suas feridas. É sincero: relata memórias de infância, encontro deles ... Sim, também há uma parte da vingança, mas acho que é necessário.Em frente a essa ferida, ela reage. Por depreciação, por depreciação. Ela dá um relato muito completo de uma crise conjugal que as pessoas raramente fazem com tal detalhe porque nem sempre podem expressá-lo bem. Ela tem os meios para escrever. Este livro é importante. Necessário, o mesmo. As condições particulares tornam-no mais atenção, mas, acima de tudo, é interessante compreender a complexidade das relações íntimas humanas diante de dispositivos políticos que destroem tudo. E também é o importante testemunho de uma crise conjugal.

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